O Mundo Agora

  • Autor: Vários
  • Narrador: Vários
  • Editora: Podcast
  • Duração: 1:55:02
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Informações:

Sinopse

Crônica de política internacional de Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris

Episódios

  • A guerra de Trump contra os tribunais e a Justiça internacional

    28/09/2026 Duração: 03min

    Donald Trump transformou sanções pessoais em arma contra juízes que contrariam seus interesses e os de seus aliados. Do Brasil à Haia, a ofensiva da extrema direita contra os tribunais não busca corrigir seus vícios, mas garantir a lei do mais forte. Thomás Zicman de Barros, analista político Um juiz é impedido de entrar nos Estados Unidos, pode ter seus bens bloqueados e encontra dificuldades para usar bancos, ter cartões de crédito, e contratar serviços tão básicos como ter um endereço de e-mail. O motivo: suas decisões desagradaram Donald Trump. A punição pessoal serve como recado a todos os magistrados: não melindrem o presidente americano, nem seus aliados. A história parece familiar no Brasil, onde o governo Trump já recorreu a sanções contra integrantes do Supremo Tribunal Federal. Mas não estamos falando do STF, e sim dos juízes do Tribunal Penal Internacional, na Haia, que julga indivíduos acusados de crimes contra a humanidade. Em fevereiro de 2025, com uma canetada, Trump abriu caminho para as sanç

  • Por que o avanço chinês no Peru deveria preocupar o Brasil

    21/09/2026 Duração: 05min

    O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, publicou um artigo no El Comercio em 8 de setembro, e o fato de ter escolhido um jornal de Lima para acusar os projetos chineses no Peru de comprometerem transparência e segurança de dados diz mais sobre o destinatário da mensagem do que sobre o conteúdo dela, que já era conhecido de quem acompanha o assunto. Thiago de Aragão, analista político A embaixada chinesa respondeu no mesmo dia, com números, que é o terreno onde Pequim se sente confortável na América Latina: um estoque de investimento próximo de US$ 30 bilhões, dezenas de bilhões em ganho comercial acumulado para os peruanos, e a afirmação de que o hemisfério ocidental não é o quintal de ninguém, que a diplomacia chinesa vem repetindo desde que Washington voltou a tratar a região como problema de segurança. Dois dias depois, Rubio estava em Lima e Keiko Fujimori confirmava a entrada do Peru no Shield of the Americas. Nada disso teria peso se fosse apenas troca de comunicados. O que dá densidade ao episódio

  • Trump inflável, Rubio na América do Sul, e o risco de ingerência estrangeira no Brasil

    14/09/2026 Duração: 03min

    A ofensiva diplomática de Washington na América do Sul e os laços com o bolsonarismo acendem o alerta para o risco de ingerência americana na eleição brasileira. Thomás Zicman de Barros, analista político Um enorme Donald Trump inflável subiu no meio da Avenida Paulista. Foi com esse símbolo, e agitando bandeiras americanas, que os apoiadores de Flávio Bolsonaro acharam apropriado comemorar o 7 de Setembro, dia da Independência. Há um paradoxo evidente em celebrar patriotismo e soberania nacional prestando homenagem ao líder de uma potência estrangeira. E a cena ganha outro significado diante do que acontece hoje ao redor do Brasil. Apenas um dia depois daquela manifestação, em 8 de setembro, Marco Rubio desembarcou na Colômbia. O secretário de Estado americano seguiu depois para Equador e Peru, numa viagem destinada a consolidar a aproximação de Washington com três governos de direita e extrema-direita da região. Os Estados Unidos vêm recompondo sua influência na América do Sul. Além dos três países visitado

  • Como o ouro venezuelano entrou na diplomacia dos Estados Unidos

    07/09/2026 Duração: 04min

    Washington começa a desmontar, de forma calculada, as sanções sobre o ouro venezuelano, mas a jogada vai além da economia. Ao liberar o comércio de minerais estratégicos, os EUA miram não só recursos valiosos, mas também influência sobre a Amazônia e o Escudo das Guianas. A abertura, porém, é seletiva, reversível e chega antes que Caracas consiga controlar a extração ilegal, que mistura crime organizado, grupos armados e rotas clandestinas. Thiago de Aragão, analista político Sanções costumam ser mais sinceras quando começam a ser desmontadas. A ordem das exceções diz muito sobre o que Washington realmente quer. Na Venezuela, o petróleo veio primeiro. Era previsível. Agora, os Estados Unidos começam a montar uma arquitetura parecida para o ouro, os minerais e o carvão. O subsolo venezuelano entrou, de vez, na diplomacia de Washington. Isso não encerra as sanções. Longe disso. A abertura é controlada, seletiva e, sobretudo, reversível. Ainda assim, muda o lugar da Venezuela no cálculo norte-americano: o país d

  • França: quem vai enfrentar Marine Le Pen no segundo turno da eleição presidencial de 2027?

    31/08/2026 Duração: 04min

    O primeiro debate entre os presidenciáveis franceses mostrou uma corrida ainda fragmentada no país, a oito meses da eleição. Com Marine Le Pen autorizada a concorrer e à frente nas pesquisas, candidatos do centro, da direita e da esquerda disputam quem poderá enfrentá-la no segundo turno. Thomás Zicman de Barros, analista político A campanha presidencial francesa parece ter começado para valer na semana. Na quinta-feira (27), sete dos principais candidatos à sucessão de Emmanuel Macron participaram de um primeiro grande debate, organizado pelo MEDEF, a principal organização empresarial francesa, no célebre estádio de Roland-Garros. Mas a disputa, pelo menos por enquanto, parece ser para saber quem ficará em segundo lugar, ou melhor, quem irá ao segundo turno com Marine Le Pen. A candidata do Reunião Nacional (Rassemblement National) aparece próxima dos 35% das intenções de voto, muito à frente dos adversários. Le Pen voltou recentemente a ser elegível. Condenada no ano passado no caso dos funcionários fantasm

  • Entre tratores e geopolítica, a Europa perde espaço para a China na América do Sul

    24/08/2026 Duração: 04min

    O acordo entre União Europeia e Mercosul deixou de ser uma negociação técnica há muito tempo. Virou teste de realidade para a Europa. A pergunta que Bruxelas evita responder é simples: quer mesmo parceiros estratégicos na América do Sul, ou prefere seguir refém de cadeias de suprimento que Washington, Pequim e seus próprios impasses internos definem por ela? Thiago de Aragão, analista político Em Paris, o debate é apresentado como uma disputa entre agricultores franceses e carne brasileira. Leitura compreensível. Também incompleta. Para o pequeno produtor francês, pressionado por custos crescentes de energia, fertilizantes, crédito e exigências ambientais, mais concorrência parece ameaça direta. Não adianta explicar a ele que os volumes serão limitados, que as salvaguardas existem, que a quota é pequena. Quem vive de uma propriedade familiar não enxerga uma “quota tarifária”. Enxerga o risco de não conseguir passar a terra para os filhos. É precisamente por isso que a discussão precisa ser tratada com mais ho

  • Extrema direita europeia usa crise em Ceuta para atacar Sánchez e espalhar medo de 'invasão migratória'

    17/08/2026 Duração: 05min

    Ao regularizar imigrantes que já viviam no país, a Espanha contrariou a guinada conservadora do continente. A extrema direita aproveitou a crise de Ceuta para transformar essa diferença numa suposta ameaça para toda a Europa.  Thomás Zicman de Barros, analista político Pedro Sánchez é o primeiro-ministro espanhol – ou, mais precisamente, presidente do Conselho de Ministros – e hoje um dos poucos líderes de esquerda da União Europeia. Nessa posição, acabou comprando briga com muitos governos de direita do continente. No início deste ano, a Espanha lançou uma ampla regularização de imigrantes que já viviam no país, em muitos casos trabalhando e contribuindo para a economia, mas sem os papéis em dia. A decisão causou alvoroço numa Europa governada majoritariamente pela direita e onde ideias antes associadas à extrema direita estão cada vez mais normalizadas. Esse contraste ficou particularmente evidente numa pretensa crise migratória ocorrida há duas semanas em Ceuta, no norte da África. Ceuta é um pequeno terri

  • Eleições brasileiras estão na mira da extrema direita global

    03/08/2026 Duração: 05min

    A presença de Xavier Milei em evento bolsonarista, os insultos repetidos do presidente argentino a Lula e novos ataques de Washington ao presidente brasileiro mostram que o risco de ingerência estrangeira na eleição presidencial de 2026 é real. Thomás Zicman de Barros, analista político Esta é uma crônica de política internacional. Como tal, evito falar muito sobre política brasileira. Mas, às vezes, a política internacional invade a atualidade nacional. Falo de “invasão” aqui num sentido metafórico, mas não sem motivo: com a proximidade da eleição presidencial de 2026, aumenta a preocupação com possíveis ingerências estrangeiras na política nacional. Não se trata, por sinal, de uma paranoia exclusivamente brasileira: em diversas democracias, inclusive na Europa, são cada vez mais frequentes as acusações de interferências externas em eleições. Apesar de guardar inequívoca base militante, o bolsonarismo vive um momento de fraqueza no Brasil. Jair Bolsonaro está preso por tentativa de golpe de Estado, e impedid

  • A linha chinesa que vale mais que uma guerra tarifária

    27/07/2026 Duração: 04min

    Enquanto Brasília e Washington encenam a guerra visível das tarifas, uma disputa muito mais silenciosa, e muito mais duradoura, foi decidida em 24 de junho. Naquele dia, a State Grid Corporation of China (SGCC) enfiou a primeira máquina no chão da maior concessão de transmissão da história do Brasil. Mil quatrocentos e sessenta e oito quilômetros de ultra-alta tensão, cortando Maranhão, Tocantins, Goiás e Minas Gerais. Cerca de R$ 20 bilhões. Trinta anos de concessão. Thiago de Aragão, analista político A tarifa de 25% que o United States Trade Representative (USTR) acaba de finalizar contra o Brasil ocupa manchete, mobiliza o Itamaraty, entra na campanha eleitoral. É reversível por natureza, sujeita a negociação, a troca de governo, a decisão judicial, exatamente como foi a tarifa anterior, derrubada pela Suprema Corte americana em fevereiro. Ninguém, no entanto, aguarda o próximo ciclo eleitoral para revogar uma linha de 800 quilovolts fincada no cerrado. Washington briga por fluxo. Pequim, por concreto arm

  • Espanha e Argentina recolocam o racismo no centro do debate no futebol

    20/07/2026 Duração: 05min

    Entre Espanha e Argentina, o futebol mostrou, mais uma vez, que nunca se separa da política. As acusações de racismo contra os dois países não devem deixar esquecer que o esporte deve ser também um espaço de resistência. Thomás Zicman de Barros, analista político Apesar de só ter marcado no final da prorrogação, não há dúvida de que a Espanha dominou a final da Copa do Mundo contra a Argentina. Muita gente no Brasil comemorou a derrota dos nossos vizinhos. Para além da rivalidade e do futebol ruim apresentado pela alviceleste, muitos justificavam a torcida por motivos políticos. Como disse antes mesmo do início do torneio, política e futebol são inseparáveis. Para alguns, torcer pela Argentina significaria legitimar o racismo que marca o país. Houve até quem transformasse essa escolha numa forma conveniente de expiar o racismo brasileiro, apontando o dedo para os outros. A Argentina convive, sim, com um grave problema de racismo. Os episódios se repetem nas arquibancadas, nas redes sociais e, por vezes, entre

  • Copa de 2026 revela que a América do Norte deixou de funcionar como bloco previsível

    13/07/2026 Duração: 04min

    A Copa de 2026 carrega uma coincidência geográfica que ninguém na Fifa planejou e que, ainda assim, diz muito sobre o momento da América do Norte. O torneio está sendo disputado exatamente sobre o mapa do único tratado comercial que costura Estados Unidos, México e Canadá, o acordo que substituiu o antigo Nafta, e acontece justamente quando esse arranjo passa pela revisão mais profunda desde que foi assinado. Thiago de Aragão, da RFI O torcedor que cruzar de San Diego para Tijuana, ou de Detroit para Toronto, estará atravessando a fronteira interna de um bloco econômico que segue formalmente de pé, mas cuja lógica de integração já não se sustenta da mesma maneira na prática. Vale começar pelo que o próprio evento pressupõe, porque é nele que a tensão aparece com mais clareza. Uma Copa repartida entre três países só funciona se a circulação entre eles for fluida, já que seleções, torcedores, equipes de transmissão e equipamento precisam transitar entre as cidades-sede como se as três jurisdições formassem um t

  • O falso dilema da 'escolha difícil' na eleição presidencial francesa de 2027

    06/07/2026 Duração: 06min

    Um possível duelo entre extrema-direita e esquerda radical nas eleições de 2027 reacende o debate sobre normalização do lepenismo e falsas equivalências. Thomás Zicman de Barros, analista político Falta menos de um ano para a eleição presidencial francesa de 2027, e o tema ocupa cada vez mais o noticiário do país. O curioso é que, apesar disso, ninguém sabe ainda exatamente quem serão os principais candidatos. Nesse mar de incertezas, uma hipótese aparece cada vez mais nas conversas políticas: um segundo turno entre o Rassemblement National (Reunião Nacional), partido de extrema direita de Marine Le Pen, e Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical francesa. A primeira grande incógnita está justamente na extrema direita. Nesta terça-feira, 7 de julho, Marine Le Pen aguarda uma decisão da Justiça que pode definir se ela poderá disputar a presidência pela quarta vez. Acusada de desvio de recursos públicos no caso dos assistentes parlamentares fantasma no Parlamento Europeu, ela foi condenada à inelegibilidad

  • Copa 2026 expõe fissuras do tratado comercial entre EUA, México e Canadá

    29/06/2026 Duração: 06min

    A Copa de 2026 carrega uma coincidência geográfica que ninguém na FIFA planejou e que, ainda assim, diz muito sobre o momento da América do Norte. O torneio é disputado exatamente sobre o mapa do único tratado comercial que costura Estados Unidos, México e Canadá, o acordo que substituiu o antigo Nafta, e acontece justamente quando esse arranjo passa pela revisão mais profunda desde que foi assinado. Thiago de Aragão, analista político O torcedor que cruzar de San Diego para Tijuana, ou de Detroit para Toronto, estará atravessando a fronteira interna de um bloco econômico que segue formalmente de pé, mas cuja lógica de integração já não se sustenta da mesma maneira na prática. Vale começar pelo que o próprio evento pressupõe, porque é nele que a tensão aparece com mais clareza. Uma Copa repartida entre três países só funciona se a circulação entre eles for fluida, já que seleções, torcedores, equipes de transmissão e equipamento precisam transitar entre as cidades-sede como se as três jurisdições formassem um

  • Como a China trocou a dependência pelo protagonismo estratégico na economia do futuro

    22/06/2026 Duração: 04min

    Visto da China, o G7 parecia girar em torno de uma questão: será que as economias mais avançadas do Ocidente podem reduzir sua dependência de Pequim? Thomás Zicman de Barros, analista político Foi-se o tempo em que os carros chineses pareciam feitos de papelão. Em Xangai, a regra são os modernos veículos elétricos que cruzam silenciosamente as avenidas da cidade. Ao mesmo tempo, milhões de pagamentos são feitos por QR Code e trens de alta velocidade ligam metrópoles distantes em poucas horas. O presente chinês parece, de fato, coisa do futuro. Foi dessa China que acompanhei as notícias do G7 – o clube das economias mais avançadas do Ocidente – reunido em Évian, na França. Sim, mesmo estando longe de Paris, onde moro, continuo falando da atualidade francesa. Mas agora a observo pelo olhar chinês. Oficialmente, a China não era o tema central do encontro. Mas ela estava presente em quase todas as conversas. A principal iniciativa econômica anunciada pelos líderes do G7 foi o reforço da cooperação para reduzir de

  • EUA transformam facções em variável de campanha presidencial no Brasil

    15/06/2026 Duração: 04min

    Toda medida externa que cai num ano eleitoral deixa de ser o que era. A designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos nasceu instrumento de segurança e de risco financeiro. Mas a quatro meses da eleição, se transformou em variável de campanha. E o que a torna interessante é que ela rende para os dois lados ao mesmo tempo. Thiago de Aragão, analista político Antes dos efeitos, um ponto que precisa ficar de pé, porque a leitura preguiçosa já contaminou o debate: a designação não é obra de Flávio Bolsonaro (candidato do Partido Liberal à presidência) nem da família. O Departamento de Estado vinha costurando isso há pelo menos dois anos, dentro de uma lógica própria de Washington, a de jogar a moldura de contraterrorismo sobre o crime organizado latino-americano. O lobby da oposição acelerou e se pendurou ruidosamente num movimento que já corria. Não o criou. Quem troca coincidência de calendário por causa atribui a Brasília um poder

  • Copa do Mundo de 2026 revela choque entre a integração do futebol e política migratória de Trump

    08/06/2026 Duração: 04min

    Entre vistos negados, controles migratórios reforçados e tensões diplomáticas, o Mundial de 2026 expõe o contraste entre a promessa de integração do futebol e a política de fronteiras de Donald Trump. Thomás Zicman de Barros, analista político Na próxima quinta-feira (11), será dado o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026. Como todo brasileiro, parto do pressuposto de que o hexacampeonato é apenas uma questão de tempo. Mas não é por isso que menciono o torneio. Alguém pode perguntar, de fato, o que uma competição de futebol está fazendo numa crônica de política internacional. A história, porém, não deixa mentir: competições esportivas são permeadas por política. Das Olimpíadas de Berlim em 1936 ao boicote ocidental aos Jogos de Moscou em 1980, passando pelas ditaduras sul-americanas que buscaram legitimidade em grandes torneios, o esporte sempre refletiu disputas que o ultrapassam. Poucas Copas ilustram tão bem essa realidade quanto a que começa agora. Pela primeira vez, o torneio será compartilhado entre

  • Da soja ao petróleo: como viramos o plano B de Pequim e por que isso deveria nos deixar em alerta

    01/06/2026 Duração: 05min

    Existe um tipo de elogio que devia acender o sinal amarelo de quem o recebe. O Brasil acaba de ganhar um desses. Em abril, segundo o levantamento do PRC Leader sobre a estratégia chinesa para o sul global, o país virou o segundo maior fornecedor de petróleo da China. Não por mérito comercial nosso. Foi porque o Estreito de Ormuz estava bloqueado, o Golfo travado, e Pequim precisava de barril rápido vindo de um lugar que não dependesse do humor de Washington, nem de Moscou. Thiago de Aragão, analista político Some a soja a isso. Desde que a China reativou o boicote aos grãos americanos, ela realocou pedidos para o Brasil e para o resto da América Latina e fez o trabalho burocrático fino de garantir que nossos exportadores cumprissem as exigências fitossanitárias para vender em escala. O resultado é um Brasil que, em 2026, acumulou duas funções ao mesmo tempo: o posto de gasolina e o celeiro de emergência da segunda maior economia do planeta. Para o investidor, o número de curto prazo seduz. A demanda chinesa f

  • Cuba, Estados Unidos e os 'Estados delinquentes

    25/05/2026 Duração: 05min

    Ao chamar Cuba de “Estado delinquente”, Donald Trump convida o mundo a desconstruir essa expressão – e a refletir também sobre a delinquência na própria ação dos Estados Unidos. Thomás Zicman de Barros, cientista político Na última quarta-feira, 20 de maio, as relações entre Cuba e os Estados Unidos voltaram aos holofotes. Donald Trump recorreu a uma expressão antiga, mas que continua funcionando como uma espécie de senha moral da política internacional: “Estado marginal”, “Estado bandido”, “Estado delinquente”. Em inglês, se diz rogue state. A fórmula sugere uma oposição binária: existiriam países civilizados, responsáveis, defensores da ordem mundial, e outros que viveriam fora dela, como criminosos internacionais. Cuba, segundo Trump, pertenceria ao segundo grupo. A expressão foi mobilizada pelo presidente americano para justificar o indiciamento, pela Justiça dos Estados Unidos, de Raúl Castro. O antigo revolucionário cubano, hoje nonagenário, governou a ilha socialista entre 2008 e 2018 e é irmão de Fide

  • Acordo sino‑americano pressiona soja brasileira e expõe falta de estratégia

    18/05/2026 Duração: 03min

    Quando Donald Trump pousou em Pequim, na última quinta-feira (14), a coreografia já estava pronta nos mínimos detalhes. Os roseirais de Zhongnanhai foram escolhidos a dedo — aqueles mesmos canteiros que pertenceram à liderança imperial e depois ao regime comunista. Ali o presidente americano caminhou ao lado do líder chinês, Xi Jinping, em um passeio que mais parecia ensaio de filme do que uma reunião entre os dois homens mais poderosos do planeta. Thiago de Aragão, analista político Houve almoço sem agenda divulgada, sementes oferecidas a Trump para que florescessem no jardim da Casa Branca, e a frase de Xi sobre uma "nova relação bilateral de estabilidade estratégica construtiva" recebida do outro lado com a palavra amigo. Quem viu aquilo e achou que era só teatro perdeu o que importava, porque diplomacia de superpotência é sempre um pouco teatro e o que vale mesmo é ler o roteiro nas entrelinhas. E o roteiro, para o Brasil, é desconfortável. Faz dois anos que o agronegócio brasileiro vive uma das melhores

  • Moderação trabalhista impulsiona extrema direita e regionalismos na Grã-Bretanha

    12/05/2026 Duração: 04min

    As eleições locais britânicas revelaram o colapso da estratégia moderada dos trabalhistas, o avanço da extrema direita de Nigel Farage e o fortalecimento de forças regionalistas que colocam em xeque a própria unidade do Reino Unido. Thomás Zicman de Barros, analista político Menos de dois anos separam o momento de consagração de Keir Starmer, ainda primeiro-ministro trabalhista da Grã-Bretanha, daquele que pode marcar sua danação política. As eleições locais realizadas na última quinta-feira na Inglaterra, Escócia e País de Gales poderiam passar despercebidas fora desta ilha do norte, não fosse a dimensão da derrota trabalhista.Já há vozes pedindo a renúncia do premiê. Se não mudar de rumo, Starmer pode entrar para a história como o homem que abriu as portas do poder para a extrema direita britânica, ao mesmo tempo em que fortaleceu forças regionalistas que ameaçam a própria unidade do Reino Unido. Há menos de dois anos, os trabalhistas comemoravam uma vitória histórica. Após catorze anos na oposição, conquis

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