Jorge Borges

O que realmente vicia os alunos

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Sinopse

Há uma tendência muito comum, sobretudo entre quem trabalha em educação, para falar de «tempo de ecrã» como se fosse uma medida única e comparável, e para culpar o aparelho em si pelo problema. Mas o mesmo computador que serve para fazer um trabalho de pesquisa serve também para uma maratona de séries até de madrugada; o mesmo telemóvel que permite consultar o horário dos comboios é também a porta de entrada para uma aplicação concebida, ao milímetro, para nos manter a deslizar o dedo pelo ecrã. O risco não está, portanto, no objeto, mas naquilo que fazemos com ele e, sobretudo, naquilo que ele foi desenhado para nos fazer fazer. É esta distinção entre uso produtivo e uso desenhado para reter que separa, na prática, uma ferramenta de uma armadilha, e que tem implicações diretas para quem ensina, para quem aprende e para quem decide políticas educativas.