Jorge Borges

Quando o currículo não chega: o que a OCDE nos diz sobre mudar a escola de dentro para fora

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Sinopse

Há uma certa ilusão reconfortante em acreditar que mudar o currículo é o suficiente para mudar a escola. Actualiza-se o documento, reformulam-se as metas, publicam-se novos programas — e espera-se que algo, algures, se transforme. A OCDE acaba de publicar um relatório que desmonta precisamente essa ilusão, com a serenidade de quem já viu demasiados ciclos de reforma acabar no mesmo sítio: com professores exaustos, alunos inalterados e gestores escolares a tentar conciliar o inconciliável.O documento em causa é o n.º 135 da série OECD Education Policy Perspectives, intitulado Ecosystems Approach to Curriculum Change, publicado a 14 de maio de 2026. A tese central é simples de enunciar, mas difícil de digerir: os resultados de uma reforma curricular dependem não apenas da qualidade do design do próprio currículo, mas em medida significativa do ecossistema em que esse currículo é interpretado e posto em prática. E esse ecossistema — uma teia viva de actores, relações, rotinas, recursos e infra-estruturas que atr